O Contador de Histórias

Junho 22, 2008

Por Isa Maria

Sua história se confunde com a do Mercado de São José. Com 1,50m de altura, cabelos brancos e ralos, o senhor Sinésio Roberto, com é conhecido, revela com certo orgulho a história do primeiro mercado construído a ferro no Brasil, o de São José. Comerciante e escritor, Sinésio recebe estudantes, pesquisadores e até políticos para falar do mercado. Segundo ele, foi em 1974, durante a reconstrução do prédio, que ele encontrou, dentro de uma lata de lixo, uma relíquia da história do local; um livro de pontos e anotações. Nele, é possível identificar assinaturas importantes como a de Joaquim Nabuco, representantes de paises como: Nigéria, França, Holanda, entre outros.

Logo após a descoberta, Sinésio revitalizou o caderno deteriorado pelo tempo e tratou de dar continuidade as assinaturas importantes. Ele faz questão de mostrá-las. Já passou por lá, nomes importantes da história do País, como os ex-presidentes da República, Fernando Collor de Melo, Fernando Henrique Cardoso, Miguel Arraes, Tancredo Neves, o então governador do Estado de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, a atual candidata a Prefeitura da cidade de São Paulo, Marta Suplicy, o prefeito da cidade do Recife, João Paulo e tantos outros. Com toda a sua bagagem histórica, Sinésio escreveu, com o apoio do Governo do Estado, um livro sobre o Mercado de São José. Nele, é possível encontrar o nome e a história de cada comerciante do local. E claro todas as suas histórias e curiosidades.

Após a revitalização, o Governo do Estado construiu, no prédio do mercado, um centro onde é possível conhecer toda a história do local. O espaço fica localizado nos fundos do Mercado. E uma sala pequena, com alguns poucos objetos utilizados na época de sua inauguração. Pesos, medidores antigos, bacias, entre outros, estão lá.

Apesar de o livro ser um patrimônio do Estado de Pernambuco, é o senhor Sinésio quem o guarda. A briga pela devolução do objeto ao Estado gera algumas desavenças entre o comerciante e a administração do Mercado que insiste em dizer que o livro deve e precisa ficar exposto no centro cultural do mercado. Enquanto isso não acontece, apenas poucas pessoas têm o privilégio de registrar o seu nome na história do mercado de São José.

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